Heitor Gouvêa
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Há quase dois anos longe de casa...

Ainda me recordo como se fosse hoje, o dia em que recebi a proposta para trabalhar como desenvolvedor em Campinas e como consequência deixar a minha cidade natal, família e amigos para trás…

June 23, 2018

Junto com a ansiedade de me mudar rapidamente para poder viver uma nova experiência, também existia o medo. O medo de não gostar, de não fazer novas amizades, de não me acostumar e me sentir solitário, entre outras coisas…

Sair de casa para ir morar sozinho sempre foi umas das minhas maiores utopias, mesmo sabendo que eu passaria por dificuldades no início. E realmente eu passei e passo muitas dificuldades, uma delas foi me acostumar em uma nova rotina: dividir o dia entre os estudos, emprego e atividades domésticas. Além disso eu ainda tive que me acostumar com o sotaque campineiro (sim Campineiros, vocês tem sotaque).

Mas eu tive a ajuda da minha família e o apoio dos meus amigos, isso mais do que tudo, influenciou e tornou a minha vinda para Campinas possível. Mesmo eu sendo o tipo de pessoa que sempre se manteve distante da família, não por não saber conviver com eles e sim por escolha própria - após perder meu avô aos meus 9 anos, a quem eu era muito próximo, decidi que não me apegaria a mais ninguém, para não ter que passar por aquilo novamente. E como eu sempre coloquei minha carreira a frente de tudo, acabei me distanciando de meus amigos e familiares.

Não me arrependo em nenhum momento de ter escolhido isso, desde pequeno sempre procurei novas experiências para ter histórias para contar… E quando eu visito minha cidade natal, o que não falta é história para contar.

Hoje percebo que não era necessário ter medo, fiz novos amigos, vivi novos amores, me acostumei a nova rotina, a nova comida e aos costumes locais… E quanto a solidão, de fato, as vezes ela vem me visitar, porém ao mesmo tempo, ela é uma boa companhia.

A experiência de morar sozinho influenciou muito no rumo da minha carreira, graças a isso eu aprendi muito sobre gestão de tempo e se antes eu já era uma pessoa responsável, hoje eu sou muito mais. Criei o costume de ao menos tentar ler um livro por semana e isso está agregando muito na minha formação intelectual.

Aprendi também que eu não deveria transformar meu hobby em trabalho. Desde meus 14 anos eu usava a programação como hobby, como uma válvula de escape e isso era muito bom, mas quando eu tornei o meu hobby em trabalho, eu vi o quanto desgastante, massante e cansativo era trabalhar como desenvolvedor. Passar o dia todo raciocinando para tentar resolver problemas de outras pessoas, não é para todo mundo. E as vezes você acaba levando “problemas” para casa, você fica pensando em como resolver aquele erro, mesmo que você só vá se sentar em frente ao computador no dia seguinte.

Se eu não tivesse vivido toda essa experiência, aposto que jamais teria cogitado a ideia de cursar Direito ou Economia. Pois é, estou deixando a área de exatas de lado e indo para a área de humanas/sociais.

A vinda para Campinas também me possibilitou ir em eventos de empresas reconhecidas no mercado, como: Microsoft, Facebook, Intel, IBM e iFood. Também consegui me introduzir de uma melhor forma dentro da comunidade de desenvolvimento, consigo frequentar meetups, dojos e hackathons, algo que em minha cidade natal eu não conseguiria… Ter a experiência de sair de casa na sexta-feira, apenas com uma mochila contendo uma troca de roupa, carteira, celular, notebook e itens higiênicos, passar o final de semana em um hackathon, programando, sem dormir, comendo muita porcaria, bebendo muito café e refrigerante, fazendo novas amizades, fortalecendo meu network e voltar para casa apenas no domingo as 23 horas da noite, isso sim é algo que eu esperava da minha vinda para Campinas.

Com toda essa experiência eu consegui concluir que eu até poderia estar feliz aonde eu estava, porém, uma das minhas maiores realizações foi ter conseguindo dar um “start” na minha carreira como desenvolvedor.

Provavelmente em 2018 estarei me mudando novamente, talvez até mesmo para fora do Brasil. Não custa sonhar né?!


Heitor Gouvêa: com mais de 3 anos de experiência no campo da segurança da informação ofensiva, hoje atua de forma independente como Pesquisador de Segurança da Informação, além de ser o principal desenvolvedor do projeto Nipe, ferramenta responsável por garantir o anonimato a seus usuários, presente em várias distribuições Linux como: Black Arch, Weak Net e LionSec Linux.

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